É um exame indolor, feito em cabine acústica com fones, em que você aperta um botão sempre que ouve um som — inclusive os quase inaudíveis. Dura dezenas de minutos, não exige jejum nem acompanhante, e o resultado costuma sair no mesmo dia, porque o gráfico é construído durante o exame.
O que a audiometria mede
Duas coisas diferentes, em duas etapas.
Na parte tonal, procura-se o menor volume em que você ainda escuta cada frequência, do grave ao agudo, um ouvido por vez. O resultado não é um número único: é um mapa por frequência, porque a perda quase nunca é igual em toda a faixa.
Na parte vocal, você repete palavras. Ela responde outra pergunta — não "o quanto você ouve", mas "o quanto você entende". As duas medidas podem divergir, e é essa divergência que às vezes explica a queixa de "escuto, mas não entendo".
O exame usa fones e também um vibrador ósseo apoiado atrás da orelha. A comparação entre o que chega pelo ar e o que chega pelo osso é o que separa perda condutiva de perda neurossensorial — distinção explicada em perda auditiva.
O que a imitanciometria acrescenta
A imitanciometria, ou timpanometria, não mede audição: mede o comportamento do tímpano e do ouvido médio sob variação de pressão. É ela que documenta líquido atrás dele.
A diretriz de otite média com efusão recomenda obter timpanometria quando o diagnóstico permanece incerto após a otoscopia pneumática [1]. Por isso os dois exames costumam vir juntos no mesmo pedido: um diz o quanto se ouve, o outro ajuda a dizer por quê. Ver otites e exames de otorrino.
Dura poucos minutos, e o que se sente é uma pressão breve no ouvido, parecida com a de um avião pousando.
Como é a cabine e o que você precisa fazer
A cabine é pequena, tratada acusticamente, com visor de vidro. O fonoaudiólogo fica do lado de fora e conversa com você pelo fone.
Sua tarefa é mais difícil do que parece: sinalizar sempre que ouvir o som, mesmo quando a impressão for de que talvez você tenha imaginado. É esse o ponto que o exame procura. Esperar ter certeza distorce o resultado para pior.
O silêncio da cabine incomoda algumas pessoas. Se você tem claustrofobia, avise antes: a porta pode ficar entreaberta ou o teste pode ser adaptado.
Preparo
Pouco, mas não nenhum.
Evite ruído intenso antes. Show, fone alto, oficina, motosserra. A exposição a ruído forte desloca temporariamente os limiares auditivos, e um exame feito logo depois pode registrar uma perda que não é a sua audição de base.
Cera obstruindo o canal altera o resultado — para pior, simulando perda condutiva. Não tente resolver sozinho: cotonete empurra a cera para dentro, machuca e é a causa evitável mais comum de exame adiado. A remoção, quando necessária, é feita em consultório.
Se estiver gripado, com ouvido tampado ou infecção recente, avise ao agendar. Às vezes vale fazer mesmo assim, às vezes vale remarcar. Quem decide é quem pediu.
Crianças: o exame muda de forma, não de objetivo
A criança não aperta botão por convenção, mas responde a som — e o exame se adapta à idade em vez de ser adiado.
Em bebês e lactentes, usam-se respostas comportamentais condicionadas: a criança vira a cabeça na direção do som e é recompensada com estímulo visual, e testes eletrofisiológicos complementam quando necessário. Em pré-escolares, o teste vira brincadeira: encaixar uma peça a cada som ouvido. Em escolares, o exame já é o do adulto.
A diretriz de otite média com efusão orienta obter teste auditivo apropriado à idade quando a efusão persiste por três meses ou mais — ou em qualquer duração, na criança de risco aumentado [1]. "Ela é pequena demais para fazer audiometria" não é motivo para não investigar. Ver otorrinopediatria.
Lendo o gráfico sem substituir o médico
O audiograma tem as frequências no eixo horizontal, dos graves à esquerda aos agudos à direita, e a intensidade em decibéis no eixo vertical. Quanto mais para baixo o traçado, pior a audição naquela frequência — o gráfico é invertido em relação à intuição.
Há dois traçados por ouvido: um da via aérea e outro da via óssea. Quando os dois estão juntos e rebaixados, a perda tende a ser neurossensorial. Quando a via óssea está preservada e a aérea está pior, o espaço entre elas aponta um problema de condução, no canal, no tímpano ou no ouvido médio.
Isso basta para acompanhar a explicação e fazer perguntas. Não basta para diagnóstico: o mesmo traçado tem causas e condutas diferentes conforme idade, história, simetria e evolução.
Quando o resultado sai
Em geral no mesmo dia. O que pode demorar é a consulta em que ele será interpretado — e essa espera nem sempre é aceitável.
Um caso não espera: perda auditiva súbita. A diretriz orienta obter audiometria o mais rápido possível, dentro de 14 dias do início do sintoma, para confirmar o diagnóstico [2]. Perda súbita de um ouvido não é assunto de fila.
Quando procurar atendimento
- Perda auditiva súbita, em geral de um ouvido só, com ou sem zumbido e tontura: procure atendimento no mesmo dia. Não espere passar nem espere a audiometria de rotina [2]
- Perda de audição de um lado só, progressiva, com zumbido só nesse ouvido — avaliação
- Zumbido pulsátil, que acompanha o batimento cardíaco — investigação própria, ver zumbido
- Secreção pelo ouvido, dor persistente ou febre
- Criança que não responde ao chamado, fala pouco para a idade ou aumenta muito o volume da televisão
Perguntas frequentes
A audiometria dói? Não. Nenhuma parte do exame dói, e nada é introduzido no canal auditivo além da oliva da sonda, na imitanciometria.
Posso fazer resfriado? Pode, mas avise. O resultado reflete a situação daquele momento, e às vezes convém repetir depois.
Fiz o exame e deu normal, mas não entendo o que falam no restaurante. E agora? Isso existe: dificuldade de compreensão em ambiente ruidoso com audiometria tonal preservada. Vale reavaliação, porque a investigação segue por outros caminhos.
Leia também: Perda auditiva · Exames de otorrino · Preparo para polissonografia
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Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.
Referências
Rosenfeld RM, Shin JJ, Schwartz SR, Coggins R, Gagnon L, Hackell JM, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2016;154(1 Suppl):S1-S41. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599815623467 (PMID: 26832942)
Chandrasekhar SS, Tsai Do BS, Schwartz SR, Bontempo LJ, Faucett EA, Finestone SA, et al. Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;161(1_suppl):S1-S45. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599819859885 (PMID: 31369359)
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