Se você saiu da consulta com um pedido de exame, esta página explica o que ele responde, como é feito, se dói, se exige preparo e quanto tempo leva. Por que o exame foi pedido é assunto de cada doença — os links levam à página correspondente.
Audiometria tonal e vocal
O que responde. Se existe perda auditiva, de quanto, em quais frequências e de qual tipo — separando a perda condutiva da neurossensorial, distinção que orienta toda a conduta seguinte [1].
Como é feito. Em cabine acústica, com fones. O paciente sinaliza sempre que ouve um som, que vai ficando mais baixo até se encontrar o menor nível audível em cada frequência. Na parte vocal, repete palavras.
Dói? Precisa de preparo? Não dói e não exige preparo. Evite ruído intenso nas horas anteriores; cera obstruindo o canal pode alterar o resultado.
Duração. Da ordem de dezenas de minutos. Há versões adaptadas por faixa etária, do recém-nascido em diante; a diretriz orienta teste apropriado à idade quando há líquido no ouvido médio por três meses ou mais [2].
Onde se aplica: perda auditiva, zumbido, otites.
Imitanciometria (timpanometria)
O que responde. Como o tímpano e o ouvido médio se comportam sob variação de pressão. É o exame que documenta líquido atrás do tímpano. A diretriz de otite média com efusão recomenda obter timpanometria quando o diagnóstico permanece incerto depois da otoscopia pneumática [2]; a curva plana, tipo B, é um dos achados que caracterizam efusão provavelmente persistente [10].
Como é feito. Uma sonda pequena na entrada do canal auditivo varia a pressão por alguns segundos, enquanto o aparelho registra a resposta. É preciso ficar quieto e não falar.
Dói? Precisa de preparo? Não dói — há sensação breve de pressão, como num avião pousando — e não exige preparo. Canal obstruído por cera precisa ser limpo antes, em consultório.
Duração. Poucos minutos, geralmente junto com a audiometria.
Onde se aplica: otites, otorrinopediatria.
Nasofibroscopia
O que responde. Mostra o que o exame externo não alcança: cavidade nasal, cornetos, septo, adenoide, faringe e laringe em funcionamento. Nas doenças nasossinusais, a endoscopia nasal integra o exame que define o diagnóstico [4]; na queixa vocal, a diretriz recomenda visualizar a laringe antes de pedir imagem [5].
Como é feito. Um endoscópio fino e flexível é introduzido pelo nariz, com o paciente sentado e acordado. A imagem aparece na tela e pode ser gravada.
Dói? É desconfortável, não doloroso. Num ensaio randomizado com 376 pacientes submetidos a laringoscopia flexível transnasal, os escores de dor e a disposição de repetir o exame foram comparáveis entre quatro preparações tópicas [6] — inclusive no grupo que recebeu só gel aquoso.
Preparo e duração. Não exige jejum na maioria das situações; costuma-se aplicar spray tópico no nariz antes. Informe uso de anticoagulante. Dura poucos minutos e, em criança, depende da colaboração.
Onde se aplica: desvio de septo, sinusite, polipose, adenoide, voz e laringe, cabeça e pescoço.
Variante para a voz. A videolaringoscopia com estroboscopia acrescenta a análise da vibração da mucosa das pregas vocais, útil para caracterizar lesões pequenas. Pode ser feita por via oral, com endoscópio rígido apoiado na língua; pede-se um som sustentado, e o reflexo de vômito é contornado com anestésico tópico.
Polissonografia
O que responde. Registra o sono e a respiração durante a noite; é o exame padrão para diagnosticar apneia obstrutiva do sono no adulto com suspeita clínica [7]. Questionários e escores, sozinhos, não fazem o diagnóstico — a diretriz recomenda de forma forte que não sejam usados para isso [7].
Como é feito. Uma noite em laboratório de sono, com sensores colados na pele que registram atividade cerebral, movimentos oculares, tônus muscular, fluxo de ar, esforço respiratório, oxigenação e posição do corpo. Nenhum perfura a pele.
Dói? Não. O incômodo é dormir com sensores e fora de casa, por uma noite inteira de registro.
Preparo. Chegar no fim da tarde ou à noite, conforme o serviço; levar roupa de dormir e a lista de medicamentos; evitar cochilo à tarde, cafeína e álcool; cabelo limpo e sem produto, para os sensores aderirem.
Teste domiciliar. Em adultos com risco aumentado de apneia moderada a grave, a diretriz aceita polissonografia ou teste domiciliar com dispositivo adequado; se o domiciliar for negativo, inconclusivo ou tecnicamente inadequado, a polissonografia deve ser feita [7].
Em criança. A diretriz de amigdalectomia define quando a polissonografia deve preceder a cirurgia [3].
Onde se aplica: apneia do sono e ronco, otorrinopediatria.
Outros exames — e os que não são rotina
Punção aspirativa por agulha fina. No nódulo cervical de risco aumentado, a diretriz orienta punção em vez de biópsia aberta [8]. Detalhes em cabeça e pescoço.
Tomografia, ressonância e testes vestibulares têm indicação definida pelo quadro, não por rotina. Na queixa vocal, não se pede imagem antes de visualizar a laringe [5]; na vertigem posicional sem sinais discordantes, a diretriz é contra imagem e contra teste vestibular [9] — ver tontura e vertigem.
Quando procurar atendimento
O exame agendado não substitui reavaliação se algo mudar. Procure atendimento antes da data se surgir:
- Perda auditiva súbita de um ouvido — avaliação em dias, não em semanas [1]
- Vertigem com alteração da fala, da visão, da força ou da marcha — pronto-socorro
- Sangramento nasal que não cessa com compressão, ou febre alta com dor facial intensa
- Dificuldade para respirar, ruído ao inspirar ou engasgo progressivo — pronto-socorro
Perguntas frequentes
Preciso de acompanhante? Nenhum destes exames usa sedação de rotina, então em geral não. Crianças e pessoas com dificuldade de locomoção devem ir acompanhadas.
Posso tomar meus remédios normalmente? Em regra sim. Leve a lista do que usa e confirme com o serviço, sobretudo antes da polissonografia.
Quanto tempo demora o resultado? Varia com o exame e o serviço. A polissonografia exige análise do registro e leva mais tempo. Confirme o prazo no agendamento.
Fiz o exame e veio normal, mas continuo com sintoma. E agora? Exame normal é informação clínica, não fim da linha: exclui hipóteses e redireciona a investigação. Leve o resultado ao retorno.
Leia também: Perda auditiva: aparelho e implante coclear e Ronco alto e pausas na respiração à noite
Agende uma avaliação.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação individual.
Referências
Chandrasekhar SS, Tsai Do BS, Schwartz SR, Bontempo LJ, Faucett EA, Finestone SA, et al. Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;161(1_suppl):S1-S45. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599819859885 (PMID: 31369359)
Rosenfeld RM, Shin JJ, Schwartz SR, Coggins R, Gagnon L, Hackell JM, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2016;154(1 Suppl):S1-S41. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599815623467 (PMID: 26832942)
Mitchell RB, Archer SM, Ishman SL, Rosenfeld RM, Coles S, Finestone SA, et al. Clinical Practice Guideline: Tonsillectomy in Children (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;160(1_suppl):S1-S42. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599818801757 (PMID: 30798778)
Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, Hellings PW, Kern R, Reitsma S, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl S29):1-464. DOI: https://doi.org/10.4193/Rhin20.600 (PMID: 32077450)
Stachler RJ, Francis DO, Schwartz SR, Damask CC, Digoy GP, Krouse HJ, et al. Clinical Practice Guideline: Hoarseness (Dysphonia) (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2018;158(1_suppl):S1-S42. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599817751030 (PMID: 29494321)
Joy AK, Philip A, Mathews SS, Albert RRA. Transnasal Flexible Laryngoscopy Using Different Topical Preparations and Methods of Application—A Randomized Study. J Voice. 2022;36(6):847-52. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2020.10.009 (PMID: 33092947)
Kapur VK, Auckley DH, Chowdhuri S, Kuhlmann DC, Mehra R, Ramar K, et al. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(3):479-504. DOI: https://doi.org/10.5664/jcsm.6506 (PMID: 28162150)
Pynnonen MA, Gillespie MB, Roman B, Rosenfeld RM, Tunkel DE, Bontempo L, et al. Clinical Practice Guideline: Evaluation of the Neck Mass in Adults. Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;157(2_suppl):S1-S30. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599817722550 (PMID: 28891406)
Bhattacharyya N, Gubbels SP, Schwartz SR, Edlow JA, El-Kashlan H, Fife T, et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;156(3_suppl):S1-S47. DOI: https://doi.org/10.1177/0194599816689667 (PMID: 28248609)
Rosenfeld RM, Tunkel DE, Schwartz SR, Anne S, Bishop CE, Chelius DC, et al. Executive Summary of Clinical Practice Guideline on Tympanostomy Tubes in Children (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2022;166(2):189-206. DOI: https://doi.org/10.1177/01945998211065661 (PMID: 35138976)
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Precisa de uma avaliação?
A recepção informa agenda, convênios e atendimento particular.
Agendar consulta